Home Mundo agora E os caminhoneiros? Pararam o Brasil?

E os caminhoneiros? Pararam o Brasil?

por Redação Momento Critico 30/05/2018

Imaginar o Brasil parado seria imaginar eu, você, e todo mundo dentro de casa. Sem luz, sem água, sem telefone, sem nenhum mercado, nenhuma farmácia, nenhum ônibus. Isso é Brasil parado.

Parar uma classe, como o que aconteceu com os caminhoneiros, já aconteceu outras vezes e sempre que acontece, o governo usa como estopim para aumento de preços e criação de novos impostos. Infelizmente.

No final dessa estória quem paga o pato somos nós, trabalhadores brasileiros.

caminhoneiros

Nos últimos dias, devido ao fato de os caminhoneiros terem “parado o Brasil”, o caos esteve presente na maioria dos lares, fez parte do cotidiano de todo brasileiro. Vamos pegar como exemplo, Curitiba. A cidade foi pouco afetada. Hoje é dia 30 de maio, e o abastecimento de combustíveis está praticamente normalizado. Isso graças a refinaria da Petrobrás em Araucária, região metropolitana de Curitiba.

Houveram filas para abastecimento, sim isso aconteceu. As filas duraram horas e quem não se precaveu, perdeu muitas horas que poderia estar produzindo, esperando até o momento de abastecer e voltar aos seus afazeres. A preocupação estava estampada nos rostos de todos.

Já no interior do Estado a situação foi, e está sendo, mais complicada. Ainda existem barreiras organizadas por autônomos, aposentados, desempregados, sem terra, e com isso a livre circulação ainda está prejudicada. Quanto menor a cidade, quanto menos populosa, mais a população está sofrendo, pois serão as últimas a serem abastecidas.

Trabalhadores não pararam.

Dizer que o Brasil parou é insano. O que parou foi uma classe. O governo, negociou e praticamente sem utilizar de violência, conseguiu contornar a situação. O trabalhador que tem suas contas para pagar, sua família para sustentar pensou muito antes de aderir a paralisação e praticamente ninguém aderiu.

Os caminhoneiros ficaram indignados, queriam que todos parassem, mas isso é um sonho, não faz parte da realidade. O brasileiro que já passou por desemprego, falta de comida, com contas para pagar no fim do mês e que já passou por situações semelhantes, sabe muito bem que tem que valorizar a posição que ocupa e dar graças por hoje ter um emprego, e que, com isso, consiga alimentar e dar o mínimo de dignidade aos seus familiares.

A paralisação dos caminhoneiros foi exemplar. Realmente, praticamente todos desta classe no Brasil pararam, por pressão ou vontade própria. O movimento foi muito bem organizado, mas como disse no início do artigo, isso não é parar o Brasil, está longe disso.

Na próxima semana as empresas começarão a demitir quem largou seus empregos para aderir à paralisação e consequentemente receberão muito mais currículos, pois a “dança das cadeiras” terá início.

Consequências da paralisação

caminhoneirosA paralisação trouxe muito prejuizo para o País e com certeza esse prejuizo será repassado para nós, brasileiros pagarmos.

Milhares de frangos mortos por falta de ração, pintinhos ao nascerem foram sacrificados, milhões de litros de leite foram literalmente, jogados fora, escolas foram fechadas, indústrias fecharam ou diminuiram sua produção por falta de insumos, produtos finalizados não saíram das fábricas pois não puderam ser transportados. Praticamente, todos os setores tiveram e ainda terão, muitos prejuizos.

Os preços dos combustíveis na bomba subiu mais ainda, lei da oferta e procura, muitos postos cobraram mais de 5 reais o litro da gasolina, foi a lei do “se quer quer, se não quer, tem uma fila de 5 quilômetros que quer”.

A influência da internet

Diferentemente de outros movimentos, o último foi em 2012, neste que está em seus últimos dias, tivemos muita influência da internet, redes sociais bombaram sobre o assunto. Mostraram vídeos reais e muitos falsos, áudios reais e falsos, muito texto minhoca (sem pé nem cabeça), com o intúito de causar pânico à população. Aqueles que não entendem, não sabem pesquisar notícias reais entendem esse monte de lixo como verdade e propagam. Sabendo procurar na internet, o brasileiro conseguiu se informar com qualidade. Sim, algumas redes de televisão manipularam, como sempre, grande parte dos brasileiros, outras redes trouxeram somente desastre e pânico, enfim, foi complicado filtrar tudo isso e entender o que realmente valeu ou foi notícia real. Mas, ainda bem que os brasileiros puderam navegar na internet e mesmo parados na beira das BRs e postos de combustível compartilhar isso tudo em suas redes, pois lembre, se o Brasil realmente parasse, internet não estaria funcionando, nem tão pouco operadoras de celulares, mas isso não aconteceu, quem parou foi somente a classe de caminhoneiros, autônomos, desempregados, sem terra e aposentados, além de quem quer ver o “circo pegar fogo”.

O governo

caminhoneirosEstamos há poucos meses da eleição. Michel Temer foi colocado no poder com o “impeachment” da Dilma. Literalmente, caiu de paraquedas na função. Há pouco mais de 200 anos, Tiradentes foi assassinado e seu corpo esquartejado porque não aceitava o Brasil pagar 20% de imposto para Portugal.

Hoje o Brasil segue o regime da democracia, e acredito que não existe nenhum serviço ou produto para o qual pagamos apenas 20%, a carga tributária é muito maior que isso para tudo. A média é 40% aproximadamente.

O aumento dos combustíveis no exterior devido a desentendimento dos Estados Unidos com Países produtores de petróleo como Irã e a queda de produção da Venezuela, ocasionou aumento também no Brasil. No mercado exterior, o barril de petróleo teve aumento de 23%. A valorização do dólar e desvalorização do Real junto a esta moeda também pressionou e com isso, além de alta tributação, tivemos aumento nos combustíveis praticamente diários. Em apenas um mês a petrobrás reajustou o combustível na refinaria 16 vezes. Totalizando gasolina aumento de 20% e diesel, 18%, mas devido aos impostos altos, os números na bomba foram muito maiores. Aumento de 47% na gasolina e 38,4% no diesel. O resultado foi a indignação dos caminhoneiros, que com isso, fizeram contas básicas e notaram que simplesmente, a profissão deles se tornou inviável, pois não tem lucro e sem lucro, não sobrevivem.

As negociações

As negociações foram tensas, pois chegaram em um ponto propício para isso. Como o presidente está de saida, não deve estar muito preocupado, pois já deixou claro que não irá se reeleger. Palavrões direcionados a sua pessoa são normais de um povo que não aguenta mais tanta tributação e que não tem esperança de melhoras.

Dentre os 12 itens negociados o maior será os R$0,46 a menos no preço do diesel na bomba, congelado por 60 dias, além de isenção do pedágio para eixos suspensos e outras mudanças.

Para a classe caminhoneira é uma vitória a curto prazo, mas, como o governo diz não ter verba, apesar de altos salário e benefícios de todo e qualquer político neste País, quem vai pagar a conta somos nós, reles brasileiros. Como pagaremos? Simples, aumento e criação de novos impostos. O que podemos fazer para mudar isso? Se quisermos manter nossos empregos, absolutamente nada. “Ah! Mas este ano teremos eleições e basta votarmos nas pessoas certas e tudo mudará para melhor”. Quem são as pessoas certas? Mesmo que consigamos votar “nas pessoas certas”, até quando essa ovelha sozinha em uma matilha de lobos, conseguirá se manter “certa”? Ilusão.

E agora?

caminhoneiros“Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é esse?”

Parece o momento que vivemos mas é uma música lançada em 1987 pelo Grupo Legião Urbana.

“Terceiro mundo se for
Piada no exterior”

Teremos um mês de junho “frio”, o crescimento, se é que haverá, será mínimo. O País precisará de tempo para se recompor de uma semana desastrosa, com produção nenhuma ou mínima em praticamente todos os setores.

Estamos à sombra da inflação. Os impostos subirão. Com isso, os empresários se obrigarão a aumentarem os preços de tudo para conseguirem acompanhar e pagar seus impostos.

A falta de itens nas prateleiras é momentânea, já os efeitos desta paralisação desastrosa serão sentidos por nós brasileiros, por muito tempo.

Caberá ao novo presidente e sua equipe, encontrar uma maneira de tapar esse buraco. Se for um governo digno, deverá de imediato, identificar onde vai cada centavo dos bilhões em impostos pagos mensalmente por nós brasileiros, para tudo.

Direcionar essa verba para áreas que realmente são as necessárias: educação, transporte, segurança, saude; e cortar mordomias de milhares de funcionários públicos e políticos que literalmente “mamam nas tetas do povo brasileiro”.

Será que isso é possível? Será que existe esperança?
Precisamos acreditar, deixar nossas diferenças de lado e aprender com mais esse Momento Crítico na história do nosso País.

Notícias Relacionadas

Gostaríamos de saber a sua opinião. Comente!