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Imigrantes nos Estados Unidos e as medidas de Trump para deixar crianças enjauladas

por Redação Momento Critico 20/07/2018

imigraçãoA imigração ilegal nos Estados Unidos sempre preocupou os governos. O país já encarou grandes ondas migratórias, mas recentemente, o governo de Donald Trump, tem endurecido a política de imigração, assim como prometido durante a campanha eleitoral, e adotado práticas consideradas por boa parte da população estadunidense e mundial como extremas.

Neste ano, passou a vigorar uma política de imigração que ficou conhecida como “tolerância-zero”, que permite a separação de filhos de imigrantes ilegais de suas famílias quando tentam entrar nos EUA.

Esse tema chocou e vem chocando todo o mundo devido ao vazamento de imagens que demonstram o tratamento do governo às crianças: essas ficam presas em jaulas.

Com imagens e vídeos fortes e assustadores que aproximam o tratamento das crianças a muito do que se vê nos zoológicos com animais, esse tema tomou grande proporção na Internet.

Descubra neste artigo o que está acontecendo nos Estados Unidos, como era a política de imigrantes antes da chegada de Donald Trump a Casa Branca, o que quer o atual presidente, qual a opinião da população estadunidense e quais os danos da separação às crianças e suas famílias. Boa leitura!

O que está acontecendo com os imigrantes e suas crianças nos EUA?

Em abril deste ano, o governo dos Estados Unidos, através do Departamento de Justiça do país, alterou a política de imigração, impondo às tentativas de entrada ilegal no país, o que ficou conhecido como “tolerância zero”. Com isso, qualquer individuo que tente entrar nos Estados Unidos de forma ilegal é considerado um criminoso e é processado.

As pessoas são presas e levadas aos centros de detenção de imigrantes. Nesse sistema, as crianças são separadas dos pais e também levadas a centros de detenção.

Nos centros estão instaladas gaiolas, que sevem como celas e recebem os imigrantes. Cada pessoa detida recebe um número de processo individual, assim cada membro de uma família separada recebe um número de processo diferente.

E as crianças?

As crianças podem ficar no máximo por 72 horas nos centros. Após esse período a custódia passa para o Departamento de Saúde e Serviços Sociais. O departamento tenta localizar algum familiar que viva nos EUA ou busca uma família para receber a criança.

imigraçãoApós as 72 horas e até encontrar uma família as crianças são mantidas em albergues. De modo geral, as crianças ficam cerca de dois meses nesses albergues. Os últimos dados do governo estimavam 11.351 menores sob a custódia.

Denúncias quanto à infraestrutura para apoiar a prática têm surgindo e tem se evidenciado a falta de organização da medida.

Como no ato da separação os indivíduos são processados de maneira individual e associados a processos diferentes, ativistas que tentam reunir as famílias encontraram diversas barreiras para tentar localizar os pais de algumas das crianças separadas.

Além disso, os defensores e ativistas não sabem o que os pais separados das crianças querem para seus filhos: se os pais são deportados eles podem querer que o filho seja devolvido ao país de origem também, mas em alguns casos os pais podem preferir que a criança fique sob os cuidados das autoridades norte-americanas, já que as condições no país de origem podem ser perigosas.

Ainda assim, não há definição do procedimento para reunir as famílias, e nos casos em que os pais ou as crianças já tenham sido deportados a situação é mais complicada.

Kind

Um grupo de defesa de crianças imigrantes desacompanhadas, Kids in Need of Defense (Kind), em português: “Crianças que Precisam de Defesa”, estava defendendo uma criança de dois anos que foi separada de seu pai em março. O pai foi deportado no mês de abril, mas até junho a menina ainda estava sob a custódia do governo norte-americano.

Até o momento, o maior centro de detenção de crianças imigrantes que se tem registro abriga mais de 1.500 crianças e funciona em uma antiga loja da Walmart, na cidade de Brownsville no estado do Texas.

Alguns ativistas afirmam que a prática de separação já vinha ocorrendo, de maneira discreta, há alguns meses antes de ser adotada como política no mês de abril.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), centenas de crianças imigrantes da América Central foram detidas na fronteira sul dos Estados Unidos e separadas dos seus pais desde outubro de 2017.

Os imigrantes e os EUA

A história norte-americana está intimamente relacionada com a imigração, o país sempre recebeu um elevado número de imigrantes.

A primeira onda de imigração ao país, que se tem registro, iniciou em 1820, na ilha de Ellis no porto de Nova York, e estendeu-se até 1892. O fluxo de imigração continuou e em 1924 a ilha funcionou como um centro de detenção e deportação de imigrantes.

A entrada de imigrantes foi tão significativa para história do país que, estima-se que, mais da metade da atual população estadunidense tenha antepassados que chegaram ao país pela cidade de Nova York entre as décadas de 1820 e 1920.

A cidade de Los Angeles, na costa oeste dos Estados Unidos, foi responsável por receber a maioria dos grandes grupos de imigrantes a partir dos anos sessenta. Hoje a cidade é considerada o maior centro de imigrantes do mundo.

Como era antes de Donald Trump?

A questão da imigração ilegal nos Estados Unidos sempre foi preocupação dos governos.

Antes de Trump, Barack Obama e também George W. Bush encararam grandes fluxos de imigração. Ambos modificaram as regras e as condições para permanência dos imigrantes ilegais no país, mas nenhum dos antecessores do atual presidente adotou medidas de separar crianças de suas famílias.

Em alguns momentos, durante o mandato de Barack Obama, imigrantes ilegais eram processados e deportados. Contudo não era uma prática comum para aqueles que estavam tentando entrar no país pela primeira vez e, com exceção dos casos de tráfico de drogas, as famílias eram mantidas juntas.

DACA

Em 2012, Obama propôs o programa Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA). Esse programa tenta proteger imigrantes sem documentos que chegaram durante a infância e cresceram nos Estados Unido, atribuindo-lhes vistos de estudo ou trabalho.

Estes imigrantes são os chamados “dreamers” ou sonhadores.

O programa previa que os jovens acessassem o mercado de trabalho de maneira legal, recebessem permissão para retirar a carteira de motorista e fossem protegidos contra os riscos de deportação.

imigraçãoO que quer Donald Trump com essa política de imigração “tolerância zero”?

Trump, já durante a campanha presidencial, iniciou uma cruzada contra os imigrantes, principalmente contra a imigração ilegal.

Atualmente, o presidente americano quer que uma nova legislação, mais restritiva acerca da imigração, seja adotada pelo país. Tal legislação modificaria não só a imigração ilegal, mas também as condições para entrada e permanência de imigrantes de forma legal.

O presidente também quer que o Congresso dos EUA libere a verba para construção do polêmico muro na fronteira com o México.

O que acha Trump do DACA?

Para conseguir apoio e a aprovação da nova legislação proposta, Trump tem usado medidas para pressionar o Congresso.

Em meados de 2017, Donald Trump atacou o programa Deferred Action for Childhood Arrivals, reforçando sua oposição a legalização de imigrantes não documentados e pressionando o Congresso para que buscassem outra alterativa para os “dreamers”, ameaçando acabar com o programa.

Atualmente, a prática de separação dos menores de suas famílias é uma nova forma de pressão, adotada pelo presidente, para que o Congresso aprove a nova legislação.

Em sua conta oficial no twitter, Donald Trump afirmou que “os democratas podem acabar com a separação das famílias nas fronteiras se trabalharem com os republicanos em uma nova legislação pela mudança”.

Os danos às crianças e suas famílias

Os danos gerados pelas separações não são mensuráveis e não devem ser subestimados, ainda assim, especialistas e organizações de direitos humanos reforçaram que a separação das crianças de suas famílias caracteriza um trauma.

imigraçãoEste trauma pode reverberar no desenvolvimento destas crianças, uma vez que a vivência precoce de experiências consideradas altamente estressantes pode causar danos psicológicos e emocionais e modelar as repostas adaptativas das crianças, alterando a forma como irão organizar seus comportamentos.

A exposição precoce a um estresse tão intenso como o gerado por uma separação dos pais pode favorecer, também, o desenvolvimento de problemas emocionais a curto e longo prazo e aumentar o risco de psicopatologias e distúrbios de saúde física.

A separação das famílias também pode deixar as crianças mais vulneráveis à exploração e ao abuso. Exposições essas que não raramente influenciam no desenvolvimento de psicopatologias a curto, médio e longo prazo.

Relatos de ativistas afirmam que jovens de 12 a 17 anos, que estão nos centros de detenção consolam crianças que, como elas, foram retiradas de seus pais.

ACLU

Algumas iniciativas tentam garantir a permanência das crianças com suas famílias, como o Projeto de Direitos dos Imigrantes da ACLU – União Americana pelas Liberdades Civis.

A ACLU organiza processos legais com objetivo de reunir as famílias que foram separadas e impedir que outras famílias sejam separadas.

 

O que pensam os norte-americanos e a opinião pública?

A maior parte da população norte americana posicionou-se contrária à separação das famílias e das crianças imigrantes.

No último mês, uma pesquisa realizada pela Universidade de Quinnipiac revelou que a maioria dos norte-americanos não apoiava a medida de separação de famílias imigrantes, adotada pelo presidente Donald Trump.

A opinião pública condenou a política adotada pelo governo dos Estados Unidos. Diversos políticos, ativistas, figuras públicas ligadas às causas dos refugiados e embaixadores das Nações Unidas condenaram publicamente a medida e o presidente estadunidense.

Em pronunciamento no mês de junho, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu aos Estados Unidos que priorizassem as famílias e os direitos das crianças durante a implementação de novas políticas na fronteira com o México.

Segundo a agência, há formas mais eficazes de controlar as fronteiras, sem que as famílias passem pelo trauma da separação de pais e filhos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), também se pronunciou condenando a separação.

Ela afirma que as crianças e suas famílias estão fugindo de situações perigosas nos países de origem, por estarem sem opções, e devem receber proteção.

E você, o que pensa da medida adotada pelo presidente Donald Trump? Deixe um comentário e compartilhe conosco sua opinião.

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