Home Mundo agora Os governos e a prisão de Lula – Aspectos econômicos, sociais e políticos

Os governos e a prisão de Lula – Aspectos econômicos, sociais e políticos

por Redação Momento Critico 24/07/2018

Veja aqui as principais mudanças sociais e econômicas dos governos Lula e as teorias que estão sendo construídas sobre os efeitos na economia brasileira depois da prisão do ex presidente. O que esperar da economia para 2019? E a longo prazo, o que nos espera? Descubra tudo aqui.

Lula

Os governos e a prisão de Lula – Aspectos econômicos, sociais e políticos

Entre aqueles que o adoram e o detestam, Lula foi o presidente que mais gerou polêmica desde, talvez, o período da ditadura militar. Sendo considerado por inúmeras revistas, como The New York Times (EUA), The Guardian (Inglaterra) e El País (Espanha) o presidente mais popular da história brasileira, uma coisa é certa: o Brasil antes e depois de Lula não é o mesmo.

Neste artigo você será apresentado a diversas informações sobre os aspectos sociais e econômicos dos governos do Lula e as implicações diretas e indiretas da prisão do mesmo para a economia nacional. Boa leitura!

 

O governo Lula e a economia mundial

De acordo com o Banco Mundial e FMI, o Brasil era o 13º país mais rico do mundo no ano de 2002. No ano de 2011, o país chegou a ocupar a colocação de 6º. Neste período, o Brasil ultrapassou economias historicamente consolidadas entre as mais fortes do mundo, como a Grã-Bretanha. Entretanto, pouco tempo depois a economia voltou a cair, se estabilizando em 9º lugar no ranking mundial. Ainda assim, esse período e as mudanças desenvolvidas no governo Lula foram fundamentais para fazer o Brasil subir 4 posições no ranking mundial, de acordo com diversos estudiosos do campo.

O cálculo é realizado a partir do PIB em dólar, o que significa que a valorização ou desvalorização do real está diretamente relacionada com o lugar que o país ocupará entre seus concorrentes. Alguns economistas demonstram que a valorização do real e a menor distância entre o valor do real e do dólar foram marcas importantes do governo Lula.

Desenvolvimento humano e combate a pobreza

O Índice de Desenvolvimento Humano da ONU demonstrou que, em 2000, o indicador brasileiro era de 0,649. Entretanto, este número subiu após os governos de centro-esquerda do PT, chegando a incrível marca de 0,755.

LulaA ONU considera para o Índice fatores como:

  • Esperança de vida ao nascer
  • Expectativa de anos de estudo
  • Renda per capita

No ano de 2015, a ONU adicionou no relatório brasileiro do Índice de Desenvolvimento Humano uma ressalva sobre a importância do Programa Bolsa Família. No documento, a ONU destaca que é um “modelo de programa social bem-sucedido” e que “deveria ser seguido por outros cantos do mundo, inclusive países melhor desenvolvidos, como EUA, Espanha e Inglaterra”.

A ONU salienta que as obrigatoriedades estipuladas pelo Programa, como:

  • Realização do pré natal
  • Vacinas e exames de bebês e crianças
  • Obrigatoriedade da frequência escolar para todas as crianças e adolescentes

Faz com que o Bolsa Família não seja efetivo apenas em aspectos econômicos, mas também sociais, incluindo saúde e educação familiar.

Dados posteriores demonstram que a inclusão deste Programa garantiu a melhoria de vida de mais de 10 milhões de brasileiros em todos os estados do país, sendo que 5 milhões destes deixaram a extrema pobreza – o que significa que 5 milhões de pessoas que, possivelmente, morreriam de fome, hoje tem o que comer 1 ou mais vezes ao dia.

Desigualdade social (GINI)

GINI é um indicador que calcula o nível de desigualdade social dos países. Cada país é avaliado e recebe uma nota de 0 à 100. Quanto mais próximo de 0, melhor o resultado, pois indica maior igualdade de renda nacional.

Em 2014, a ONU divulgou seu relatório com os dados do indicador GINI. De acordo com o resultado, o Brasil passou de 54,2 para 45,8 no indicador. O que significa uma queda de desigualdade social, ainda que tímida.

Alguns especialistas relatam que a manutenção de projetos de governo semelhantes aos apresentados pelo ex presidente Lula poderiam gerar uma queda maior nesse indicador.

Educação (FIES e PROUNI)

Durante os governos Lula e o governo Dilma foi implementada o Ciências Sem Fronteiras, programa que oferece intercâmbios para estudantes brasileiros complementarem sua formação em outros países. Mais de 100 mil brasileiros puderem ser beneficiados com esta iniciativa.

Ainda sobre o ensino superior, 1 milhão e meio de estudantes brasileiros tiveram oportunidade de frequentar a universidade devido ao financiamento universitário (FIES) e 1 milhão e 300 mil brasileiros tiveram acesso à faculdade por meio do PROUNI, programa que utiliza a nota do ENEM para dar bolsas de estudos às populações carentes.

Desemprego

Levantamento populacional realizado pelo IBGE demonstra que a taxa de desemprego no Brasil no ano de 2002 era de 12,2%. Após os governos Lula essa taxa foi claramente alterada, uma vez que o desemprego no Brasil no ano de 2013 era de 5,4%.

De forma simplificada, o desemprego caiu para menos da metade após 11 anos de governo centro-esquerda, contabilizando não apenas as medidas de Lula, mas a continuidade de seu projeto, feito pela Dilma.

LulaEssas mudanças de forma específica chamam a atenção não apenas de economistas e estudiosos brasileiros, mas de boa parte do mundo.

Com o advento da tecnologia e com a globalização, as taxas de desemprego parecem aumentar cada vez mais, uma vez que as máquinas e tecnologias vêm conseguindo substituir trabalhos humanos cada vez com maior facilidade.

Mesmo locais desenvolvidos, como EUA, Inglaterra e Canadá estão percebendo as dificuldades de manter seu povo empregado.

Esse interesse despendido ao governo centro-esquerda brasileiro de Lula e Dilma trouxeram os olhos e cérebros de inúmeros especialistas, a fim de compreenderem quais medidas têm maior associação com esse sucesso. Os resultados dessas pesquisas são particularmente importantes nesse momento, com o governo Temer, uma vez que as taxas de desemprego aumentaram drasticamente novamente e o presidente parece não ter respostas efetivas para esse problema.

De acordo com os pesquisadores, a aplicação e ampliação do PRONATEC está entre os fatores mais importantes para a manutenção dos empregos. De acordo com alguns dados recentes, cerca de 6 milhões de brasileiros foram beneficiados com esse programa.

Com o PRONATEC, a população se especializava em nível técnico e, com isso, tinha maiores chances de entrar ou permanecer no mercado de trabalho. Voltado para boa parte das populações com maiores dificuldades de sustentar suas casas pela baixa renda de seus salários, o PRONATEC também é considerado por alguns estudiosos uma alternativa interessante para reduzir a criminalidade nacional.

Gastos públicos com saúde e educação

A educação pública, a saúde pública e a assistência social são os três pilares fundamentais para a garantia do desenvolvimento saudável e íntegro de um país, de acordo com a literatura mundial.

LulaGarantir que o povo receba educação pública de qualidade, seja atendido em serviços de saúde sempre que necessário com profissionais e equipamentos de qualidade são dois pontos elementares para qualquer nação. Além disso, a parcela populacional mais frágil socialmente deve ter direito a assistência de qualidade, como ocorre nos Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra e tantos outros locais.

Para que o Brasil alcance o atendimento em saúde e educação devido, é necessário que o governo entenda esses dois fatores como fundamentais em seu plano de governo.

No ano de 2002 o governo nacional investiu R$ 28 bilhões na saúde, sendo que esse ano foi uma vitória, pois o governo vinha trabalhando com investimentos de R$ 19 bilhões à R$ 21 bilhões até pouco tempo antes.

Na educação o cenário não era muito diferente, vindo de uma história de investimento na educação de apenas R$ 10 bilhões à 14 bilhões ao ano, o governo investiu R$ 17 bilhões no ano de 2002.

Depois de 11 anos dos governos centro-esquerda do Lula e da Dilma, a diferença é gritante. No ano de 2013, o país investiu R$ 106 bilhões em saúde e R$ 94 bilhões em educação.

Colocar a educação no centro dos investimentos públicos garantiu, também, que a quantidade de estudantes nas faculdades aumentasse consideravelmente. No ano de 2003 as faculdades contavam com pouco mais de 500 mil alunos, número que passou a ser quase 1 milhão e 100 mil estudantes no ano de 2012, depois da melhor qualificação da educação básica e da inclusão de programa como o PROUNI e o investimento FIES.

 

A polêmica do Bolsa Família

Assim como o presidente Lula, o programa conhecido como Bolsa Família é a medida mais polêmica de seus governos. Apesar de diversos outros programas que beneficiam as famílias em situação de vulnerabilidade social, como o PROUNI, Brasil sem miséria, Luz para todos e etc, o programa Bolsa Família é o mais rechaçado, mal falado e incompreendido dentre eles.

Um ponto interessante sobre os discursos de ódio associados ao programa em questão, é que boa parte daqueles que o reprovam terminantemente utilizam-se de argumentos que dão a entender que o Brasil deveria seguir como exemplo países melhor desenvolvidos, onde boa parte da população é classe média e média alta e, por esse motivo, não necessitam de auxílio assistencial.

O país mais utilizado como exemplo, nesses cenários, é os EUA, seguido por lugares como Canadá e Inglaterra. O engraçado é que todos os três exemplos possuem programas significativamente semelhantes ao Bolsa Família brasileiro, em especial o Canadá e EUA, onde as famílias necessitadas recebem não apenas ajuda financeira mensal, como também:

  • Ajuda de custo para transporte das crianças para a escola, compra de uniformes, materiais escolares e itens específicos para crianças
  • Atendimento prioritário nos serviços de saúde para crianças com 5 anos ou menos ou idosos a partir de 60 anos
  • Moradia temporária para aqueles que não possuem condições de pagar aluguel (e, em alguns casos, o governo dá uma moradia popular para a família)

Dentre diversos outros benefícios que o Bolsa Família brasileiro não contempla.

Os exemplos mais utilizados por aqueles que descrêem no potencial do Bolsa Família fazem uso de assistências muito mais completas que o Bolsa Família, que se limita a auxílio financeiro com valores absurdamente baixos e com grande burocracia para acesso ao mesmo.

Nesse sentido, para seguirmos o exemplo dos EUA, Inglaterra ou Canadá, o Brasil ainda precisa avançar muito. Nós teríamos, por exemplo, que disponibilizar atendimento prioritário nos serviços de saúde para essas populações e dar moradias para aqueles que necessitam.

Lula

Aspectos sociais do Bolsa Família

A ONU já salientou uma diversidade de vezes que as obrigatoriedades estipuladas pelo programa Bolsa Família para garantir que os beneficiários continuem recebendo o incentivo são efetivos não apenas no quesito econômico, mas também no desenvolvimento social do país.

Para aqueles que não conhecem bem o programa, as principais obrigatoriedades são:

  • Realização adequada e acompanhamento de pré natal para as gestantes
  • Realização adequada de todo o acompanhamento de saúde infantil, como vacinas e exames
  • Frequência escolar igual ou superior a 75% para todas as crianças e adolescentes em idade escolar da família beneficiada
  • Prestação de contas periódica acerca da renda familiar

Algumas pesquisas de acompanhamento do programa demonstram que a inclusão desse programa no Brasil garantiu melhores condições de vida para mais de 10 milhões de famílias em todos os estados do país.

Essas 10 milhões de famílias beneficiadas, cerca de 50% delas deixaram a pobreza extrema devido ao programa. Apesar de pouco falada, a categoria de pobreza extrema é preocupante para todos os governos, uma vez que as pessoas presentes nessa faixa são aquelas que não tem condições de fazer ao menos uma refeição ao dia, todos os dias.

Em outras palavras, sair da categoria de pobreza extrema significa que essas 5 milhões de famílias passaram a ter ao menos um prato de comida por dia.

De acordo com a ONU, o programa Bolsa Família foi fundamental para tirar o Brasil do mapa da fome. O mapa da fome é o levantamento de todos os países com população significativa morrendo de fome ao ano.

Aspectos econômicos do Bolsa Família

Para além de todos os aspectos sociais envolvidos no programa, as pesquisas demonstram que o Bolsa Família foi fundamental para o crescimento econômico do país.

Com esse programa, os comércios locais cresceram significativamente, sendo que alguns deles chegaram a crescer mais de 100% desde a implementação do Bolsa Família.

Com a moeda circulando de forma mais igualitária no país, as taxas de desemprego caíram drasticamente e a expectativa de vida aumentou, em especial para as populações marginalizadas.

Existe uma infinidade de estudiosos associando programas sociais em todo o mundo com melhores taxas de escolaridade, empregabilidade e menores taxas de suicídio, violência e criminalidade.

E a prisão de Lula? Quais efeitos na economia podemos esperar?

Apesar do Lula ter sido preso há alguns meses, esse tema parece não sair da cabeça dos brasileiros.

Entre a greve dos caminhoneiros, as entrevistas com pré-candidatos e pré-candidatas à presidência e a Copa do Mundo, a prisão do ex presidente mais carismático do Brasil parece permanecer nas conversas de bar, nos almoços de domingo e nos grupos de família de whatsapp.

Com muitos apoiando a prisão e muitos exigindo a libertação de Lula, uma coisa é certa: esse movimento trará efeitos não apenas sociais e políticos, mas também efeitos econômicos para todo o Brasil. Quais são esses efeitos? Ainda não se sabe.

Exatamente. Ainda é cedo para sabermos com certeza os efeitos econômicos da prisão de Lula à longo prazo, de acordo com alguns economistas.

Muitas são as categorias sobre o tema, mas não há como ter certeza. Em especial porque a prisão ocorreu em ano de eleição e ainda não há certeza sobre o fim do processo, ele ficará realmente preso durante 12 anos? Ele será liberado para a candidatura em 2018? Há muitas perguntas em aberto.

Múltiplas teorias sobre o efeito na economia da prisão de Lula

A prisão de Lula gera polêmica não apenas por seus aspectos políticos e sociais, mas também por seus possíveis efeitos na economia de médio e longo prazo brasileira.

Há quem acredite que essa prisão será benéfica para a economia brasileira, todavia, há aqueles que demonstram ceticismo sobre os possíveis benefícios e apontam os riscos para a economia que parecem vir se desdobrando desde o primeiro semestre de 2018.

A prisão de Lula e seus benefícios para a economia brasileira

Há alguns estudiosos que acreditam que a prisão de Lula de 2018 será positiva para a economia brasileira.

Os argumentos daqueles que acreditam que a condenação do ex presidente serão positivas para a economia nacional possuem bastante lógica, com toda a certeza.

De acordo com esses estudiosos, acredita-se que a condenação de uma figura pública e política tão importante não apenas para o Brasil como para o mundo demonstra o primeiro passo para um maior rigor jurídico. Consequentemente, esses pesquisadores acreditam que passar uma imagem de maior seriedade para o resto do mundo fará com que a moeda nacional seja valorizada, o que influencia diretamente no avanço da economia brasileira.

 

Lula

A prisão de Lula e seus riscos para a economia brasileira

Apesar dos possíveis benefícios daqueles que argumentam que a prisão de Lula será benéfica para o país, há estudiosos que acreditam no oposto.

Alguns pesquisadores e estudiosos concordam que a seriedade transmitida internacionalmente é fundamental para a valorização do real e, consequentemente, para o avanço na economia nacional. Entretanto, esses pesquisadores afirmam que a prisão de Lula não é, necessariamente, uma demonstração de seriedade.

Tendo vista a polêmica envolvida no julgamento, a quantidade de instituições de direito e universidades respeitadas que se posicionaram contra a condenação final e a história anti-democrática brasileira, muitos estudiosos afirmam que a prisão de Lula só poderia transmitir seriedade se outros políticos de alto escalão, como senadores, governadores e ex presidentes também fossem condenados – o que não ocorreu e nem parece que ocorrerá.

De acordo com esses especialistas, a prisão de Lula isolada de novas condenações subsequentes caracteriza-se como uma perseguição política, e não como uma demonstração de seriedade. Alguns estudiosos chegam a fazer questionamentos acerca do fato do Lula ter sido condenado basicamente com provas circunstanciais enquanto diversos outros políticos não são nem processados mesmo com provas definitivas.

Para esses pesquisadores, a condenação de Lula afeta gravemente a economia brasileira. Isso porque diversos países já demonstraram contrariedade a condenação de um ex presidente por um juíz que não possui qualquer vestígio de neutralidade – item obrigatório para os juízes, diga-se de passagem.

Alguns países já afirmaram que estão cortando relações com o Brasil até que o ex presidente passe por um julgamento correto e em conformidade com a lei, e não com os desejos de um juíz claramente parcial. Naturalmente, o país perder aliados internacionais é motivo para preocupação nacional no que tange a economia, tendo vista que boa parte da organização econômico de um país depende de seus acordos internacionais.

Concluindo…

Apesar de Lula e seus governos estarem longe daquilo que se entende por um “governo de esquerda” verdadeiro, é fato que boa parte das medidas e programas organizados ao longo de seus mandatos foi fundamental para a economia brasileira, em especial naquilo que tange aos seus aspectos sociais e políticos.

Alguns estudos realizados por setores de relações internacionais demonstram que a diplomacia de Lula foi essencial para que o Brasil construísse pontes importantes com países para além da América Latina, como o caso dos Estados Unidos e França.

A recente prisão de Lula parece gerar polêmica não apenas por seus aspectos jurídicos, sociais e políticos, mas também sobre seus resultados econômicos para o Brasil.

Muitas teorias são levantadas sobre o rumo desse cenário, e parece que é necessário mais tempo para ser possível levantarmos dados mais fidedignos com a realidade que está por vir.

E você, o que achou do conteúdo? Acredita que a condenação de Lula será benéfica ou prejudicial para as relações internacionais e para a economia do Brasil? Deixe um comentário, marque seus amigos e compartilhe a sua opinião conosco.

Notícias Relacionadas

Gostaríamos de saber a sua opinião. Comente!